“E se eu estiver namorando um meio-irmão?”. A pergunta pode parecer improvável à primeira vista, mas essa é uma preocupação cada vez mais real para pessoas concebidas por doação de gametas. Em busca de respostas sobre suas origens e da identidade de seus pais biológicos, muitos passaram a questionar o anonimato garantido aos doadores. Entre eles estão Arthur e Audrey Kermalvezen, um casal francês que transformou esse temor em uma longa batalha judicial para descobrir sua própria história.

O caso, divulgado pela BBC, narra a longa jornada judicial enfrentada pelo casal para descobrir se poderiam ter algum vínculo biológico. A preocupação não era infundada: quando nasceram, havia apenas dois bancos de sêmen em Paris, o que aumentava, ainda que remotamente, a possibilidade de compartilharem o mesmo doador.

A possibilidade de uma relação entre parentes genéticos desconhecidos pode parecer exagerada, mas, na Europa, onde a fertilização in vitro com doação de gametas se difundiu décadas antes do que em muitos outros países, o tema é tratado com seriedade.

Um dos casos mais conhecidos é o de um doador dinamarquês que gerou ao menos 197 filhos biológicos em diferentes países europeus. A situação veio à tona após a identificação de uma rara mutação genética associada ao desenvolvimento de câncer, transmitida a partir desses descendentes. O material genético do doador teria sido comercializado por mais de 15 anos em pelo menos 14 países da Europa.