A poucos dias de 4 de outubro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrou de vez no modo “fazer o diabo” para ganhar a eleição — expressão celebrizada por Dilma Rousseff (PT) e recentemente reeditada pelo presidente. A novidade é que, na sanha por votos, ele passou a atacar até decisões do governo.

O tal “fazer o diabo” para vencer nas urnas entrou para o vocabulário político em março de 2013, numa declaração de Dilma sobre sua campanha à reeleição no ano seguinte. A ironia de Lula resgatar agora a frase é que o seu vale-tudo vinha desde 2023 e, na reta final, alimenta críticas de rivais.

O caso mais recente — e mais gritante — das contradições nas quais Lula se afunda na campanha está na nova e radicalmente oposta posição sobre bets, no rumo de bani-las. É o mesmo governo que propôs, sancionou e implantou a regulação das apostas esportivas, obtendo bilhões em tributos.

Antes disso, houve outro recuo no caso da “taxa das blusinhas”. A gestão petista apoiou a tributação das compras internacionais de pequeno valor, e Lula sancionou a cobrança. Em 2026, porém, o fim da taxa entrou na pauta negociada pelo presidente com os comandos da Câmara e do Senado.