O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), usou uma série de episódios de vandalismo e ataques contra símbolos e espaços religiosos – alguns deles anteriores ao caso da semana passada envolvendo a falsa informação de que Flávio Bolsonaro defenderia a retirada de Nossa Senhora Aparecida do título de Padroeira do Brasil – para sustentar a existência de uma “aparente onda” de ataques contra símbolos e espaços religiosos no país.

Diante disso, nesta quarta-feira (30), Dino determinou que a Polícia Federal (PF) investigue ocorrências registradas em diferentes estados e apure se há conexão entre os casos. Para especialistas, o ministro tomou uma decisão “ilegítima” para manter o tema em alta na disputa política a poucos dias da eleição.

A medida ocorre depois de o magistrado ter entrado no embate com os ministros André Mendonça e Luiz Fux sobre as publicações que associaram Flávio Bolsonaro à notícia falsa sobre Nossa Senhora Aparecida. A decisão foi tomada no âmbito da Reclamação 95.295/PR e faz parte de uma disputa que se transformou em um dos principais temas do debate político e eleitoral do país.

O constitucionalista André Marsiglia considera ilegítima a investigação e questiona a legitimidade do ministro para adotar a medida. Na avaliação do especialista, se Dino não teria competência para atuar no episódio envolvendo as publicações sobre Nossa Senhora Aparecida, conforme o entendimento manifestado por Luiz Fux, também não teria legitimidade para determinar a abertura de uma investigação sobre supostos ataques com motivação religiosa.