Entre as razões mais urgentes para encerrar o ciclo petista no poder, nenhuma é tão alarmante quanto a promiscuidade entre o Palácio do Planalto e a ala política do Supremo Tribunal Federal. E o problema não é apenas os quatro ministros que Lula poderá indicar num eventual quarto mandato: crescerá exponencialmente a influência dos atuais aliados do presidente sobre os rumos do governo, do país e da própria Corte.

Como se sabe, desde o início do atual mandato, a rotina de jantares informais no Alvorada e em mansões de Brasília virou método de governo. Sem registro na agenda oficial e conhecidas apenas por vazamentos seletivos, essas reuniões à boca miúda jamais serviram para aprimorar o Judiciário ou fixar limites éticos para a magistratura.

Prestaram-se, sobretudo, ao loteamento das vagas que abriram no STF, na PGR e nos tribunais superiores — sempre sob a articulação dos próprios ministros — e à combinação de saídas políticas para as crises que a própria Corte produz.

Da escolha dos sucessores de Rosa Weber e Augusto Aras ao ingresso de Ricardo Lewandowski no governo, passando pelas manobras para blindar Alexandre de Moraes da Lei Magnitsky e fritar André Mendonça na supervisão das investigações contra Lulinha, a pauta é sempre o pragmatismo de comadres.