Em vez de discutir diretamente as suspeitas que recaem sobre Alexandre de Moraes, parte expressiva da cúpula jurídica brasileira tem tratado o episódio como uma crise institucional. OAB, ministros aposentados do STF e outras figuras influentes no meio jurídico têm concentrado suas manifestações nos riscos para a Corte e para a estabilidade democrática, deixando em segundo plano a possível responsabilização do ministro.

Na avaliação de juristas, esse enquadramento altera o eixo da discussão pública. Em vez de concentrar o debate nas suspeitas envolvendo Alexandre de Moraes, entre elas o suposto compartilhamento de informações de um processo sigiloso e a relação contratual de R$ 131 milhões entre o banco de Daniel Vorcaro e o escritório de sua esposa, e os desdobramentos dessa parceria, as manifestações têm enfatizado os efeitos do caso sobre a imagem do STF e a estabilidade institucional.

Ao enfatizar a existência de uma crise entre ministros ou de um conflito interno no Supremo, essas manifestações tendem a tratar possíveis crimes em uma mera disputa política entre Alexandre de Moraes e André Mendonça. Dessa forma, reforça a tendência de que os indícios que recaem sobre Moraes permaneçam em segundo plano.

A postura da OAB, que inicialmente se limitava a manifestar “extrema preocupação” com os fatos, tornou-se mais contundente nesta semana. Além de questionar a participação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, na análise do caso envolvendo Moraes e Vorcaro, a entidade criou uma comissão especial encarregada de examinar documentos do STF e elaborar um parecer sobre a conduta dos ministros envolvidos.