A eleição para governador pode acabar antes da presidencial em até 19 estados, criando um desafio adicional para as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno. Com menos disputas estaduais em andamento, parte da estrutura política que ajuda a mobilizar eleitores no primeiro turno pode perder força justamente quando os presidenciáveis precisarem ampliar a participação nas urnas.

A preocupação das campanhas tanto do PT quanto do PL está na mobilização que pode deixar de existir quando a disputa estadual termina. Segundo Felipe Nunes, CEO da Quaest, estados que definem a eleição para governador no primeiro turno tendem a registrar uma taxa de abstenção cerca de dois pontos percentuais maior na segunda rodada.

O efeito nas candidaturas, porém, pode variar conforme a força de cada presidenciável nesses estados. “Se isso estiver acontecendo em estados onde o Flávio Bolsonaro tiver vantagem sobre o Lula, isso pode prejudicá-lo. Quando isso acontecer em estados onde o Lula tem vantagem sobre o Flávio, isso vai prejudicar o Lula”, defendeu Nunes em entrevista à TV Globo.

Um dos principais casos a serem observados é São Paulo, maior colégio eleitoral do país. A última rodada da Real Time Big Data, divulgada em 24 de agosto, mostra Tarcísio de Freitas (Republicanos) com 52% das intenções de voto para o governo, contra 35% de Fernando Haddad (PT).