O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes usou novamente suas redes sociais para falar do caso Master (leia na íntegra ao final). Dessa vez, fez referência a um contrato com o escritório de Camilla Ramos, que, ao lado do marido, o desembargador Newton Ramos, era associada por assessores de Daniel Vorcaro à expressão “Turma do KN”, apontada nas mensagens como uma referência ao ministro Kassio Nunes Marques.

“Entre os créditos judiciais do banco, o exemplo mais eloquente são os precatórios do setor sucroalcooleiro. […] O contrato de até R$ 427 milhões entre o banco e o escritório da esposa de um desembargador do TRF-1, hoje sob apuração, dá a dimensão do problema”, afirmou o decano em uma postagem deste domingo (27).

O contrato em questão foi fechado com o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos, do qual é sócia Camilla Ramos, esposa de Newton Ramos, que atua no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Estava em jogo precatórios do setor sucroalcooleiro. O contrato previa honorários de 5% em 12 processos que poderiam representar cerca de R$ 8,5 bilhões. No final, venceu a posição favorável a Daniel Vorcaro, com os votos de Nunes Marques, Dias Toffoli e Edson Fachin.

Nunes Marques era desembargador do TRF-1 antes de ser nomeado ao Supremo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele chegou a ter Newton Ramos como um de seus juízes auxiliares entre 2018 e 2020.